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terça-feira, novembro 17, 2009

"SER PROFESSORA É 10"


Eu estou estressada. Aliás, não estou, sou estressada. Isso explica 99% de mim. Tenho andado meio cansada, descrente até... Mas enfim, vamos ao que interessa. Houve um tempo, não muito distante, em que a sociedade respeitava e valorizava os professores e as professoras. Hoje é diferente. Nós, profissionais da educação, somos vítimas de descaso e abandono social, enfrentamos uma série de dificuldades resultando em carências que nos negam uma qualidade de vida. Nossa valorização é uma responsabilidade da sociedade, do poder público e da própria escola. Acho que estou cansada de que digam que sou uma “heroína invisível”, que mostra os caminhos traçados pela civilização, que apresenta as chaves que abrem portas da felicidade, que faz perpetuar a cultura humana, que me não há nada mais lindo do que o olhar de uma criança que desperta para a leitura do mundo. Sim, concordo com tudo isso, mas não quero para mim essa visão romântica da função exercida pelo professor, quero é ser valorizada, respeitada.
Infelizmente não há interesse em valorizar a educação, nem seus profissionais. Ainda assim, os professores continuam a existir. Alguns acomodados, que realizam sua tarefa com aquele olhar rotineiro, romântico e submisso, que dão graças a Deus por terem um emprego garantido; porém, há os que têm seus ideais, há os que lutam, persistem em buscar alternativas para que o sistema educacional, arcaico e ultrapassado, mude. Recentemente li um livro de Rubem Alves intitulado: "Por uma educação romântica". Alves aponta diversas feridas educacionais que podem ser curadas com amor, com respeito, com criatividade. Porém, a educação romântica de Rubem Alves não é aquela que aceita tudo, que acha tudo lindo, maravilhoso, que serve de máscara. É aquela educação que vem da alma do ser humano, que educa para a sensibilidade, e que questiona constantemente “qual é a função prática do que estou ensinando, para o momento da vida do aluno à minha frente?”. Que meus colegas professores tenham a coragem de trazer para dentro da escola os elementos que não fazem parte do currículo, que questionem com seus alunos sobre a vida como ela é, e que tenham a coragem de continuar a serem heróis, mesmo que invisíveis.

Hoje, mesmo cansada e estressda, acordei solfejando uma melodia de Vinícius e Carlos Lyra:

“Podem me chamar e me pedir e me rogar
E podem mesmo falar mal
Ficar de mal que não faz mal
Podem preparar milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir, melhor nem pedir
Eu não vou ir, não quero ir
E também podem me entregar
Até sorrir, até chorar
E podem mesmo imaginar o que melhor lhes parecer
Podem espalhar que eu estou cansado de viver
E que é uma pena para quem me conheceu...”

Certas canções dão-me forças para lutar contra o estresse, o mau humor, a descrença, contra a desvalorização. Essa é uma delas. E é isso aí: estou na luta. E vou continuar, pois ainda acredito que...

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